A Eficácia do Método Pilates na Melhora da Qualidade de Vida

A Eficácia do Método Pilates na Melhora da Qualidade de Vida de um Paciente Jogador de Tênis com Doença de Parkinson.

1 INTRODUÇÃO

Descrita pela primeira vez por James Parkinson em 1817, a Doença de Parkinson ou Mal de Parkinson é caracterizada por uma desordem progressiva do movimento devido à disfunção dos neurônios secretores de dopamina nos gânglios da base, que controlam e ajustam a transmissão dos comandos conscientes vindos do córtex cerebral para os músculos do corpo humano. Não somente os neurônios dopaminérgicos estão envolvidos, mas outras estruturas produtoras de serotonina, noradrenalina e acetilcolina estão envolvidos na gênese da doença.(TEIXEIRA; ALOUCHE, 2007).
A Doença de Parkinson é caracterizada por tremores, rigidez muscular, bradicinesia e instabilidade postural e da marcha. O tremor aumenta com o estresse e é menos intenso durante os movimentos voluntários. Em geral, é restrito a um membro ou aos membros de um lado, antes de tornar-se generalizado. A rigidez e o aumento da resistência aos movimentos passivos são responsáveis pela postura caracteristicamente fletida. Os sintomas mais incapacitantes são devidos à bradicinesia (diminuição dos movimentos voluntários e também dos automáticos, como o movimento pendular dos braços) (ADACHI; AUGUSTO; JÚNIRO, 2000).
O diagnóstico da Doença de Parkinson baseia-se inteiramente em dados clínicos observados no exame do paciente, na história médica do caso e na eliminação de outras causas conhecidas para uma síndrome parkinsoniana (TEIXEIRA; ALOUCHE, 2007).
O Método Pilates foi criado na década de vinte do século passado, mas somente a partir dos anos noventa começou a ser usado na fisioterapia de modo mais significativo. O criador do método, Joseph Pilates nascido em 1880 na Alemanha, denominou sua criação como Contrologia, conceituando-a como um novo sistema de cultura física proposto para recuperar tanto a saúde como a felicidade das pessoas. Esse sistema era composto tanto por conceitos filosóficos de bem-estar como por exercícios e equipamentos a serem praticados e usados (MACHADO, 2003). Durante a sua infância sempre teve uma saúde frágil e dedicou-se a melhora da sua condição física, praticando vários esportes. Foi um autodidata que aprofundou seus conhecimentos em anatomia, fisiologia e medicina tradicional chinesa desenvolvendo seu método com amplas influências da yoga, artes marciais e estudo do movimento dos animais. Joseph Pilates faleceu aos 87 anos com insuficiência respiratória, em conseqüência do incêndio em seu estúdio. (Abrami; Browne, 2003)
A teoria e prática do método pilates ficou bem explicada pelo próprio criador, Joseph Humberts Pilates, em seu livro Return to Life Trought Contrology, no qual definia a sua técnica como a completa interação entre corpo, mente e espírito. Uma de suas máximas era: “Nem muito pouco, nem em excesso” (Camarão, 2004).
O Método Pilates, objetiva, com a execução dos seus exercícios e fidelidade aos seus princípios, proporcionar um bom condicionamento físico e mental, integrando o corpo e a mente, ampliando a capacidade de movimentos, aumentando o controle, a força, o equilíbrio muscular e a consciência corporal. É um sistema de exercícios que trabalha o corpo como um todo, corrige a postura e realinha a musculatura, desenvolvendo a estabilidade corporal necessária para uma vida mais saudável e longeva. (MACHADO, 2003).
Estando 50 anos a frente de seu tempo, o método pilates atingiu seu sucesso somente a partir da década de 1990 e no início do século 21. Faz sentido, já que a atual tendência do exercício físico é a busca de qualidade de vida através de soluções holísticas, que harmonizem corpo e mente (Craig, 2005).
Portanto a justificativa deste estudo foi demonstrar através da aplicação do Método Pilates, os possíveis benefícios para reabilitação e melhora da qualidade de vida do paciente com diagnóstico de Doença de Parkinson.

2 OBJETIVOS

Aplicar a técnica de pilates e avaliar os resultados obtidos referentes aos sintomas da Doença de Parkinson, visando à reeducação neuromuscular, por meio da manutenção do equilíbrio, da consciência e movimentação corporal, alongamento, propriocepção do paciente e melhor desempenho no jogo de tênis.

3 MATERIAS E MÉTODOS

O trabalho foi realizado com um paciente do sexo masculino, jogador de tênis e com diagnóstico de Doença de Parkinson.
Foi realizado no consultório de fisioterapia, localizado na cidade de Juiz de Fora, MG. Foram utilizadas anotações contendo informações da evolução do quadro patológico do próprio paciente, aparelhos de pilates (reformer, wall unit, step chair), bolas de 55cm e 75cm e faixas elásticas de várias tensões.
As sessões são realizadas três vezes na semana com duração de 50 minutos cada. O programa de exercícios não foi protocolado, ou seja, não existe uma seqüência fixa e ordenada de exercícios que foram executados, uma vez que o repertório do método é extremamente vasto. Entretanto todas as sessões foram executadas de maneira que os princípios que norteiam o método estivessem presentes.
Sendo assim, pode-se resumir que o programa seguiu a seguinte estrutura: ativação dos músculos multífidos e transverso abdominal, série de exercícios estabilizadores da coluna e quadril, exercícios de consciência corporal, exercícios de mobilidade segmentar da coluna, treino específico de grandes grupos musculares de membros superiores, inferiores e tronco, alongamentos ativos dos grupos musculares mais trabalhados.

4 RESULTADOS

Os resultados obtidos foram observados durantes a execução das aulas através da observação, relatos do paciente e filmagem do jogo de tênis. Pode-se observar melhora na realização dos exercícios, da coordenação motora, aumento da flexibilidade, ganho de mobilidade de tronco, melhora da postura e da marcha, um melhor desempenho durante os jogos de tênis, manutenção do equilíbrio e ganho de propriocepção e consciência corporal.

Podemos relatar que a utilização do Método Pilates contribuiu para uma melhor qualidade de vida do paciente portador da Doença de Parkinson. De qualquer forma é necessário haver mais pesquisas na área.

5 DISCUSSÃO

O pilates é um método revolucionário que fortalece e alonga o músculo sem causar qualquer lesão à pessoa que pratica. Não são feitos exercícios localizados. A cada aula, o corpo é trabalhado como um todo (BECKER, 2003).
De acordo com Joseph Pilates (apud ABRAMI; BROWNE, 2003), o condicionamento físico atingido no método pilates caracteriza-se pela obtenção e manutenção de um corpo uniformemente desenvolvido, que nos permite executar tarefas diárias de maneira mais fácil e natural. A integração entre corpo e mente ocorre na medida em que esse condicionamento adquirido faz com que realizemos nossas atividades com prazer e entusiasmo.
“É a mente que constrói o corpo”. Já dizia Frederich Von Shiler, poeta e filósofo alemão (apud CAMARÃO, 2004). O corpo treinado é controlado de forma ativa através da mente. A meta de Joseph Pilates era tornar as pessoas mais conscientes de si mesmas, transformando o corpo e a mente numa entidade única.
Segundo Joseph Pilates (apud CRAIG, 2005), forçar o corpo em posições desequilibradas ou em fortes tensões, empurrando ou carregando o corpo em sucessivos movimentos até a exaustão é igual a executar exercícios artificiais.
A filosofia central de Joseph Pilates era: a percepção da capacidade física, a correção dos desequilíbrios e fraquezas e a realização dos movimentos com economia de energia (DILLMAN, 2004). O objetivo principal do método é proporcionar aos seres humanos um aprofundamento na compreensão de seus corpos. Desse modo, todos poderão usá-los de forma mais eficiente, aprimorando seu desempenho nas atividades de vida diária e profissional (BERGAMO; HAYASHIDA, 2003).
A vantagem do método está no fato de ser um sistema que atende à realidade de praticantes de qualquer idade, sexo ou nível de aptidão, dando bons resultados se a pessoa for um completo iniciante, um amador de exercícios físicos ou mesmo um atleta profissional (DILLMAN, 2004).
Para Camarão (2004), independente da idade, qualquer pessoa pode ser beneficiada com este método que melhora a qualidade de vida e oferece resultados rápidos. Mas para obter os benefícios do Pilates é preciso ser disciplinado.
Segundo Becker (2003), este método de condicionamento corporal promove harmonia e balanço muscular em todas as idades, sem contra-indicações, condicionando e energizando seu corpo através dos exercícios.
A Doença de Parkinson é um distúrbio neurológico basicamente constituído por desordens da motricidade, relativamente comum, que ocorre em todos os grupos étnicos, sem preferência por sexo. Incide em 0,2% dos indivíduos, mais freqüentemente por volta dos 45-50 anos, sendo incomum seu aparecimento antes desse período. Apenas 2% dos casos ocorrem antes dos 45 anos. O diagnóstico é essencialmente clínico, sendo os achados mais comuns os tremores, a rigidez muscular, a bradicinesia e a instabilidade postural e da marcha, podendo haver declínio da função intelectual. O tratamento é apenas paliativo, melhorando os sintomas e retardadno a progressão natural da doença. Podem ser utilizados, para fins terapêuticos, os anticolinérgicos, a levodopa, a amantadina, a selegilina e a bromocriptina (ADACHI; AUGSUTO;JUNIOR, 2000).
A substância negra cerebral sofre degeneração neuronal, devido ao esgotamento dopamínico, levando ao desequilíbrio entre dopamina e acetilcolina, que são neurotransmissores normalmente presentes no corpo estriado. No inicio da doença não há necessidade imediata de medicação. Posteriormente, o tratamento busca restabelecer esse equilíbrio, com a administração de levodopa (precursor metabólico imediato da dopamina) ou por meio do bloqueio da acetilcolina (uso de anticolinérgicos) (ADACHI; AUGUSTO; JUNIOR, 2000).
A progressão dos sinais e sintomas da Doença de Parkinson baseia-se na escala de Hoehn & Yahr(HY – Degree of Disability Scale) criada em 1967, que indica o estado geral do paciente, sendo cinco estágios de doença. O estágio inicial é caracterizado por completa funcionalidade, tremor e rigidez unilateral; no estágio intermediário bilateralidade, bradicinesia, rigidez, alterações posturais; no estágio tardio, dependência funcional. Um dos principais comprometimentos da Doença de Parkinson é a chamada “postura em flexão” que se caracteriza por flexão da cabeça, tronco ligeiramente inclinado para frente, semiflexão das articulações de joelhos, quadris e cotovelos, descritos desde 1817 por James Parkinson em seu ensaio sobre a doença. Os dois principais sinais que ocasionam alterações nos órgão fonoarticulatórios são arigidez e a bradicinesia os quais geram incoordenação nos movimentos destes órgãos. Além destes, acredita-se que a postura em flexão, especialmente da cabeça e coluna cervical, a qual se relaciona com a falta de harmonia e flexibilidade entre as posturas do sistema estatognático exerça a interrelação corpo-voz-fala (FERREIRA; PRADO; CIELO; BUSANELLO, 2007).
De acordo com O’Sullivan e Schmitz, há cinco classificações da Doença de Parkinson (DP): parkinsonismo idiopático, cuja etiologia é desconhecida e refere-se aos pacientes portadores da DP verdadeira (seu diagnóstico é essencialmente clínico, portanto, antes de ser feito, deve-se excluir tremor essencial até 20 vezes mais freqüente e outras causas de parkinsonismo; parkinsonismo pós-infecioso (ou pós-encefálico), cuja causa é atribuída à encefalite viral; parkinsonismo tóxico, cujos sintomas que caracterizam a doença ocorrem em indivíduos expostos a agentes químicos, venenos industriais e algumas drogas; parkinsonismo arteriosclerótico ( ou vascular), cujos sintomas podem estar diretamente relacionados a lesões no tronco cerebral, envolvendo a substância negra, os tratos nigroestriais ou gânglios da base; parkinsonismo atípico, que representa um grupo de várias patologias, cuja DP aparece associada a outras anormalidades neurológicas (NAKABAYASHI; CHAGAS;CORRÊA; CRIPPA, 2008).
Diferenciar a Doença de Parkinson das outras enfermidades ou situações que produzem a síndrome parkinsoniana nem sempre é fácil. Muitas vezes, é preciso observar o paciente por um longo tempo para se ter convicção do diagnóstico. Para o diagnóstico, não é necessário que todos os principais sinais e sintomas estejam presentes, nem mesmo o tremor, manifestação que ocorre com maior freqüência (SANCHEZ; SILVEIRA; CAETANO, 2008).
O diagnóstico da Doença de Parkinson baseia-se inteiramente em dados clínicos observados no exame do paciente, na história médica do caso e na eliminação de outras causas desconhecidas (BASSETTO;ZEIGELBOIM;RIBAS, 2007).
Nos casos que o pilates pode ser utilizado como mais um recurso, a estimulação deve acontecer o quanto antes. Os exercícios lentos, solo ou utilizando aparelhos w acessórios, contribuem para a manutenção do equilíbrio, da consciência e movimentação corporal. O mais interessante do Pilates é o tratamento de reeducação neuromuscular. A estimulação precoce, feita com cuidado e observando o as especificidades de cada paciente, podem minimizar sintomas como perda do equilíbrio e encurtamento dos movimentos (PANELLI, 2006).

6 CONCLUSÃO

Em conclusão, esse estudo demonstrou que o Pilates para portadores da Doença de Parkinson pôde trazer efeitos positivos na minimização dos agravos causados pela patologia. Embora os achados não possam ser estendidos, ficou claro que a inserção de técnicas mais modernas que envolvam o treino de estabilizadores da coluna é essencial para a evolução dos programas preventivos e terapêuticos da Doença de Parkinson. O desenvolvimento de mais pesquisas nessa área é necessário para a elucidação das dúvidas ainda existentes.
Escrito por: Paula Almada Gouvêa

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